segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Cadê as políticas voltadas para o saneamento básico no Brasil?



Segundo matéria da Carta Capital, 62% do esgoto do País ainda tem como destino a natureza
Cerca de 100 milhões de brasileiros ainda não têm tratamento de esgoto devido, o que, para especialistas, mostra que as políticas de saneamento pararam no século de 19

As cem maiores cidades do Brasil despejam cerca de 3 mil piscinas olímpicas de esgoto por dia e, segundo o presidente executivo do Instituto Trata Brasil, Édison Carlos, 70% delas não tem 50% do sistema de saneamento instalado e em operação.
As informações foram divulgadas na palestra O Brasil das Águas – Saneamento, Mananciais e Oceanos durante a última edição do evento Diálogos Capitais - Inovação e Sustentabilidade, promovido por CartaCapital na terça, 21.
“O saneamento no Brasil parou no século 19”, disse o presidente após citar que 100 milhões de brasileiro ainda não têm esgoto tratado. “Os últimos indicadores, datados de 2012, apontam que 62% do esgoto ainda não encontra rede adequada para ser encaminhado a estações de tratamento."
A perspectiva, de acordo com o Plano Nacional de Saneamento Básico do Governo Federal, é tornar a rede de esgoto universal em 2033. Carlos mencionou que, historicamente, o Brasil utiliza rios e oceanos como diluidores de esgoto e lamentou o estado praticamente inativo dos comitês de bacias hidrográficas.
O presidente criticou o atraso em São Paulo, que tem metade do estado com rede de esgoto apropriada. A Amazônia não chega a 10%. Rondônia e Pará têm menos de 3%.
Na crista dos dados da Trata Brasil, o professor do programa de pós-graduação em Ciência Ambiental da USP Pedro Jacobi avaliou a gestão de recursos hídricos no Brasil como o resultado de um histórico de degradação ambiental. “Estamos mais focados em trazer água às casas do que em tratá-la como consequência”, argumentou.
Jacobi cobrou transparência dos governos e afirmou que há mal uso do dinheiro público em investimentos para o saneamento. “Os calendários e descontinuidades políticas acabam prejudicando a administração dos recursos hídricos.
O estudioso afirma que não houve pressão popular suficiente para levar encanamento e tratamento às periferias, uma vez que os loteadores de bairros afastados se preocuparam em vender terrenos, não em trazer serviços. “Nosso histórico político de tutela patrimonialista nos faz ficar solidários e participativos apenas em momentos durante e pós-crise.”

Ricardo Rolim, diretor de relações institucionais, sustentabilidade e comunicação da Ambev, compareceu ao debate e lembrou que a indústria costuma figurar como vilã quando o tema é esgoto e tratamento de água. Defendeu, porém, que as empresas precisam criar um “círculo virtuoso” em toda a cadeia de produção. “De 2002 para cá, reduzimos em 38% o consumo de água da Ambev”, informou.(Caio Luiz)
Édison Carlos, Pedro Jacobi, Ricardo Rolim e Dal Marcondes (Envolverde
Fonte: Carta Capital , 22/10/14

Indústria quer quebrar barreiras e explorar melhor a biodiversidade

Detentor da maior biodiversidade do mundo, o Brasil tem chance de se transformar em referência mundial no desenvolvimento de produtos originados das riquezas naturais, mas, para isso, terá de buscar mais qualificação da mão de obra e remover entraves como o excesso de burocracia e a falta de uma legislação adequada à bio economia. A conclusão está em uma sondagem da Confederação Nacional da Indústria (CNI) com empresários, pesquisadores, representantes do Legislativo e do governo federais.

O levantamento, apresentado no 3º Fórum de Bioeconomia-Políticas Públicas e Ambiente para a Inovação e Negócios no Brasil, mostra que a maioria dos entrevistados (92%) aposta no desenvolvimento do país nessa área. No entanto, 78% dos entrevistados dizem que “não há segurança jurídica” para isso.

A pesquisa ouviu 100 representantes da indústria, 40 ocupantes de cargos no governo federal e no Congresso Nacional e 20 representantes da área acadêmica. Destes, 77,5% consideram insuficiente o apoio à pesquisa e 65,6% dizem que é preciso adequar o marco regulatório. Para 55,6%, falta mão de obra qualificada no Brasil.

Entre os que responderam às perguntas, mais da metade (51%) tem expectativa de ampliação dos investimentos privados no setor nos próximos três anos. Em comunicado sobre a pesquisa, a CNI destaca que a Organização de Cooperação de Desenvolvimento Econômico prevê que, em 2030, o setor da biotecnologia industrial receba aplicação de recursos em torno de 300 bilhões de euros.
Por enquanto, prevalecem os investimentos em biocombustíveis, seguidos pelas aplicações em bioquímicos e bioplásticos.

O presidente da GranBio e representante da Mobilização Empresarial pela Inovação (MEI) da CNI, Bernardo Gradin, destaca que a bioeconomia é “um caminho absolutamente estratégico" tanto para a energia quanto para o desenvolvimento da produtividade nos países que dispõem dela. "Não tem como o mundo achar que continua crescendo onde 1 bilhão [de pessoas] consomem o equivalente a 6 bilhões e que outros 6 bilhões não vão consumir um dia”, afirma Gradin.


Ele alerta que, se o atendimento de toda a demanda mundial depender da energia fóssil, haverá um esgotamento do planeta. “O planeta não aguenta”. Para ele, a bioeconomia surge “não somente como a oportunidade de pensar um planeta mais limpo, um ciclo de carbono mais limpo. É preciso buscar outras formas produtivas com soluções [tiradas] da biologia sintética, engenharia metabólica e dos micro-organismos.”

O diretor de Desenvolvimento Industrial da CNI, Carlos Eduardo Abijaodi, acrescenta que por meio da bioeconomia é que se vai enfrentar desafios como a escassez da água potável, a necessidade de maior produção de alimentos, o envelhecimento da população, a mobilidade urbana e as mudanças climáticas.

A economia é a capacidade de geração de riqueza e a bioeconomia, a geração de riqueza baseada em todo um sistema de lógica e de se replicar a vida. "Saímos de uma economia baseada em lastro mineral, que é a economia do petróleo, com recursos finitos, para uma economia que dá um horizonte de vida no planeta”, explica a coordenadora do Programa de Propriedade Intelectual da CNI, Diana Jungmann.- Marli Moreira

Fonte: Agência Brasil23/10/2014