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terça-feira, 28 de junho de 2016

Natura e FAPESP lançam Centro de Pesquisa Aplicada em Bem-Estar e Comportamento Humano


Com investimento de R$ 40 milhões, centro vai reunir em rede pesquisadores de psicologia e neurociências da USP, da Unifesp e do Mackenzie
 A FAPESP e a Natura lançaram no dia 23 de junho o Centro de Pesquisa Aplicada em Bem-Estar e Comportamento Humano. Este será o maior núcleo científico do país voltado ao tema e terá como objetivo impulsionar as pesquisas na área, por meio da integração de diferentes linhas do conhecimento – como neurociência, psicologia social, psicologia positiva, ciências da saúde, humanas e sociais aplicadas.
A iniciativa reúne uma rede de pesquisadores multidisciplinares da Universidade de São Paulo (USP), da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e da Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM). Sediado no Instituto de Psicologia da USP (IPUSP), o Centro é o primeiro na área de Humanidades criado a partir de um modelo de financiamento compartilhado entre uma empresa privada e uma agência pública de apoio à pesquisa.
O investimento total no projeto é de R$ 40 milhões ao longo de dez anos. São R$ 20 milhões para a implantação e condução das atividades do centro de pesquisa – divididos igualmente entre Natura e FAPESP –, e uma contrapartida equivalente da USP e das demais universidades, na forma de salários, infraestrutura e apoio institucional e administrativo aos pesquisadores envolvidos.

Cerca de 30 pesquisadores conectados em rede desenvolverão projetos cooperativos de pesquisa científica e tecnológica, articulando instituições de pesquisa do Brasil e do exterior, além da Natura.
O modelo escolhido para a implantação do centro está na vanguarda da inovação aberta. A iniciativa irá fortalecer o conhecimento científico para promover o bem-estar de nossos consumidores e da sociedade como um todo”, afirma Andrea Álvares, vice-presidente de marketing e inovação da Natura.
Para o diretor científico da FAPESP, Carlos Henrique de Brito Cruz, facilitar a interação entre universidades com grupos de pesquisa competitivos internacionalmente e empresas é essencial para o desenvolvimento científico e tecnológico do Estado de São Paulo, missão da Fundação. “A universidade ganha novos desafios para a pesquisa, e a empresa ganha pontos de contato estratégicos com a fronteira do conhecimento e com a formação de recursos humanos”, diz.

Novas perspectivas
Coordenado por Emma Otta, professora titular do Departamento de Psicologia Experimental da USP, e por Patrícia Tobo, gerente científica de Ciências de Bem-Estar da Natura, o Centro tem como fundamento de suas pesquisas a neurociência e a psicologia, esta como produtora de conhecimentos científicos a partir do estudo do comportamento e suas causas. As pesquisas estarão concentradas em duas áreas principais: psicologia positiva e neurociência cognitiva.
A psicologia positiva tem seu foco no estudo e no desenvolvimento das qualidades humanas, como otimismo, resiliência, cultivo das emoções positivas e autoestima. Já a neurociência cognitiva estuda a atenção, a memória e a linguagem, além da regulação emocional e sua influência nas relações sociais, em questões como raça, gênero e condições sociais, entre outros fatores.
“O Centro tem uma característica inovadora, pelo fato de conciliar esses dois pilares: o da neurociência e o da psicologia, esta com ênfase na psicologia positiva e sua noção de bem-estar, incluindo as condições objetivas de vida, saúde, alimentação, habitação”, afirma Otta.
A Natura tem a promoção do bem-estar como sua razão de ser e pesquisa internamente o tema há mais de dez anos. A empresa estuda, por exemplo, como medir o impacto de produtos e determinadas ações no bem-estar das pessoas. “O Centro permitirá agregar uma dimensão ainda mais profunda desse conhecimento, ao mesmo tempo em que amplia nosso entendimento da população brasileira”, explica Gerson Pinto, vice-presidente de inovação da Natura.
Inicialmente, os pesquisadores do centro se articularão em torno de 11 projetos voltados ao desenvolvimento de indicadores de bem-estar, por meio de estudos sobre o reconhecimento e a regulação de emoções, assim como a influência do contexto familiar e da sociedade nas relações humanas. Temas ligados à indústria cosmética – como a maneira com que as fragrâncias e a maquiagem podem alterar o estado de ânimo e a autoestima das pessoas – também serão estudados.
De acordo com Otta, trata-se de um importante investimento em uma área do conhecimento que é multidisciplinar e pode trazer novas perspectivas para o desenvolvimento do bem-estar na sociedade. Para ampliar seu impacto, o Centro conta com coordenações dedicadas à transferência de tecnologia dos resultados gerados e a sua incorporação em ações de educação e difusão junto à sociedade.
Para a coordenadora do Centro, há um grande potencial de aplicação do conhecimento produzido por pesquisas em psicologia positiva nas áreas da educação, da saúde, do trabalho e das organizações, para o desenvolvimento das pessoas e da sociedade, podendo-se inclusive diminuir o custo econômico e social de doenças, na medida em que as pessoas aprendam a fazer escolhas que promovam o bem-estar e a saúde.

Sobre a FAPESP
Criada em 1962, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) está entre as mais importantes agências de fomento à Ciência e Tecnologia do Brasil. Mantida pela transferência de 1% das receitas tributárias do Estado de São Paulo, a FAPESP seleciona e apoia pesquisa em todas as áreas do conhecimento, proposta por cientistas ligados a instituições de ensino superior e pesquisa no Estado de São Paulo. A FAPESP também apoia pesquisas em áreas estratégicas para o país e cruciais para o avanço da ciência mundial, por meio de programas relacionados a grandes temas, como mudanças climáticas globais, bioenergia e biodiversidade, e dispõe de programas de apoio a pesquisas voltadas para a inovação, em colaboração com empresas, como o Programa FAPESP de Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE) e o Programa FAPESP Parceria para Inovação Tecnológica (PITE). Em 2015, a Fundação desembolsou R$ 1,2 bilhão, valor equivalente a $PPP 629 milhões (valor em paridade de poder de compra) para apoio a projetos de pesquisa científica e tecnológica. Mais informações em www.fapesp.br

Sobre a Natura
Fundada em 1969, a Natura é uma multinacional brasileira de cosméticos e produtos de higiene e beleza. Líder no setor de venda direta no Brasil, registrou R$ 7,9 bilhões de receita líquida em 2015, possui mais de 7 mil colaboradores, 1,9 milhão de consultoras e operações na Argentina, Bolívia, Chile, México, Peru, Colômbia e França. Foi a primeira companhia de capital aberto a receber a certificação B Corp, em dezembro de 2014, o que reforça sua atuação transparente e sustentável nos aspectos social, ambiental e econômico. Em 2006, criou o Natura Campus, programa corporativo que promove a colaboração tecnológica da Natura junto a instituições de pesquisa, governo e empreendedores. A estrutura da companhia é composta por fábricas em Cajamar (SP) e Benevides (PA), oito centros de distribuição no Brasil, um hub logístico em Itupeva (SP) e centros de Pesquisa e Tecnologia em Cajamar (SP) e Nova York (EUA). Detém o controle da fabricante australiana de cosméticos Aesop, com lojas em países da Oceania, Ásia, Europa, América do Norte e América do Sul (Brasil). 

Fonte: Assessoria de imprensa Natura – Textual Comunicação

Austrália perde turistas por causa do branqueamento dos corais

Austrália pode perder 1 milhão de turistas por ano por causa do branqueamento da Grande Barreira de Corais
 
O branqueamento da Grande Barreira de corais da Austrália, causado pelo aquecimento global, é mais que um desastre ambiental. Segundo relatório divulgado pelo think tank econômico The Australia Institute, a destruição contínua dos corais causada pelas mudanças climáticas pode levar o país a perder mais de 1 milhão de visitantes e mais de US$ 900 milhões dos US$ 3,3 bilhões gastos anualmente por turistas nas regiões da barreira, colocando em risco 10 mil postos de trabalho.

O relatório examina as implicações do branqueamento do coral e da postergação de ações para conter as mudanças climáticas sobre a indústria do turismo da Austrália como um todo.  Além das regiões dos corais, esse impacto pode afetar o turismo da Austrália como um todo, com perdas adicionais de mais de 174.000 visitantes e US$ 1 bilhão em gastos de turistas.

De acordo com a pesquisa, a Grande Barreira de Corais é considerada uma das principais atrações por 73% dos potenciais visitantes da China, do Reino Unido e dos EUA. No entanto, 174.000 visitantes desses três países, que poderiam gastar mais de US$ 1 bilhão em turismo na Austrália, se sentem mais propensos a visitar um país diferente se branqueamento dos corais persistir.  

 No início de 2016, a Grande Barreira de Corais sofreu o branqueamento de coral mais grave já registrado, causado principalmente pelo aquecimento global. Os dados mais recentes do Great Barrier Reef Marine Park Authority indicam que a mortalidade já atingiu 22%. Para reduzir a ameaça de branqueamento dos recifes de corais, é preciso combater o aquecimento global. No caso da Austrália, a ação mais eficaz é eliminar o uso do carvão para gerar energia. Programas para aliviar as pressões locais sobre a barreira e melhorar sua capacidade de resiliência não são suficientes.  

 Mais de 80% das pessoas de fora da Austrália que foram entrevistadas para esse relatório acreditam que o país tem  obrigação de proteger a Barreira. Cerca de 70% deles dizem que a Austrália deve parar de aprovar novas minas de carvão e avançar para as energias renováveis para proteger os corais.  Mas a indústria do carvão se opõe a qualquer ação séria sobre o aquecimento global, como uma moratória sobre as minas de carvão, a precificação do carbono ou a expansão das energias renováveis. No entanto, sem essas medidas, a indústria do turismo do recife está em risco.

O turismo motivado pela Grande Barreira de Corais emprega 39.000 a 45.000 pessoas por ano, enquanto a mineração de carvão responde por apenas 20.000 empregos. Em 2015, a Grande Barreira de Corais atraiu 2,4 milhões de turistas australianos e 1,1 milhões de turistas internacionais, que gastaram um total de US$ 3,3 bilhões. 

Fonte: AViV Comunicação
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Termoelétrica a carvão na Índia ameaça o Tigre de Bengala e patrimônio mundial da UNESCO

Projeto controverso de usina a carvão na Índia ameaça o Tigre de Bengala e patrimônio mundial da UNESCO

Um controverso projeto de usina a carvão aumentará os já elevados riscos que ameaçam tanto o tigre de Bengala como a floresta de mangue de Sundarbans - o maior bloco de mangue arbóreo do mundo.

Trata-se de uma termelétrica a carvão que deve ser construída perto da cidade de Khulna, ao lado de Sundarbans de mangue – lar do lendário do Tigre de Bengala. Ela não só ameaça este patrimônio da UNESCO e uma das mais icônicas espécie em extinção, como também produzirá eletricidade a um custo 32% maior que o preço médio em Bangladesh, apesar de pesados ​​subsídios dos governos do Bangladesh e Índia.

A controversa usina a carvão está sendo construída pela NTPC, controlada pelo Estado indiano, em conjunto com o Power Development Board Bangladesh (BPDB). Estima-se que o total de subsídios governamentais irá superar os US$ 3 bilhões.  Os fundos para a conservação do tigre de Bengala, por outro lado, dificilmente chegam a US$ 45 milhões, apesar de ser considerado o animal nacional de Índia e Bangladesh. 

Um censo recente feito com câmeras escondidas mostrou que apenas cerca de 100 tigres permanecem em Sundarbans - confirmando a tendência decrescente que mantém a espécie classificada como ameaçada de extinção pelo IUCN desde 2010.

Além do Tigre de Bengala, os Sundarbans – palavra que pode ser traduzida como "bela floresta" na língua Bengali - é o lar de outras 8 espécies ameaçadas de extinção. Com cerca de 10.000 quilômetros quadrados, eles abrigam crocodilos, veados, cobras, 150 espécies de peixes, 42 espécies de mamíferos, 35 répteis, 8 espécies de anfíbios e 270 espécies de plantas. Todos serão  profundamente afetados pelo projeto da termelétrica, que ficará localizada na planície do Ganges a sudoeste de Bangladesh e a apenas 14 kms ao norte da floresta de mangue de Sundarbans.

A construção de uma central elétrica a carvão maciço perto das Sundarbans iria causar um desastre nesta área ecologicamente sensível com uma  biodiversidade única. O carvão importado para abastecer a fábrica sairia de Akram Point, que está localizado dentro das Sundarbans, onde seria feita a transferência para barcaças cobertas menores para que o carvão seja então levado até o Rio Passur até o site do projeto Rampal, perfazendo um total de 400-500 viagens de barca por ano diretamente através do Sundarbans.  Esse processo exigiria a dragagem e alargamento de um trecho de 36 quilômetros do rio Passur para tornar o rio navegável entre Akram Point e a termelétrica.

O projeto contradiz os princípios de desenvolvimento sustentável pelo contínuo financiamento subsidiado pelo governo de usinas elétricas movidas a carvão, especialmente quando alternativas de baixo carbono estão disponíveis e são economicamente competitivas. As termelétricas a carvão estão entre as principais causas das mudanças climáticas, que já estão ameaçando as Sundarbans.

"Acreditamos que Bangladesh seria melhor atendida com o reforço de sua segurança energética por meio da diversificação do sistema, aproveitando a missão solar, muito bem sucedida da Índia. Isso promoveria as exportações indianas e fortaleceria o ambicioso programa 'Make-in India' do Governo, ao mesmo tempo em que apoiaria o programa de energia renovável de Bangladesh. Seria muito mais rápido para a Bharat Heavy Electricals Limited instalar uma série de usinas de energia solar em em Bangladesh ao invés de investir em uma tecnologia ultrapassada e poluidora", analisa Jai Sharda, Managing 

Partner, Equitorials e autor do relatório "Risky and Over Subsidised A Financial Analysis of the Rampal Power Plant, lançado pelo Instituto de Economia da Energia e Análise financeira (IEEFA). De acordo com este relatório, o projeto Bangladesh-Índia Maitree pode efetivamente acabar em uma confusão financeira. O projeto expõe investidores, contribuintes e consumidores a um alto risco e um potencial de ativos ociosos

"Nós examinamos o projeto de energia de carvão Rampal segundo parâmetros tais como financiamento, investimento, custo de produção, fornecimento de combustível, bem como risco devido a eventos climáticos extremos. O projeto falha em todas as frentes, além de expor os investidores a um risco significativo ", sintetiza Jai Sharda.

Em primeiro lugar, um empréstimo com taxas abaixo do mercado pelo EXIM Bank indiano representa um subsídio de US$ 988 milhões efetivamente pagos pelos contribuintes indianos para os consumidores de Bangladesh. Segundo, o governo de Bangladesh está propondo uma isenção de imposto sobre o rendimento de 15 anos para a usina no total de US$ 936 milhões. Em terceiro lugar, Bangladesh faria a concessão anual de um subsídio de US$ 26 milhões por meio da realização de dragagem de manutenção para assegurar a entrega de carvão para a planta. "Subsídios para o projeto Rampal colocam um peso enorme sobre os contribuintes indianos", disse Sharda.

O EXIM Bank depende fortemente de empréstimos em moeda estrangeira dos mercados internacionais: eles representaram 41,5% do total de empréstimos no ano fiscal de 2015. No entanto, os mercados internacionais estão cada vez menos dispostos a financiar projetos ou instituições envolvidas com usinas da carvão. O Conselho de Ética do Fundo de Pensão do Governo da Noruega excluiu a NTPC de seu universo de investimentos por causa de seu patrocínio do projeto Rampal. Não há razão para acreditar que ação semelhante não será tomada por outros fundos de investimento contra o EXIM Bank ", alertou Tim Buckley, diretor de estudos de Energia Finanças, Australasia para IEEFA.

Diversos bancos multilaterais e agências de crédito à exportação em países que são membros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) já se comprometeram a limitar o financiamento de usinas a carvão e atividades conexas. Isso deixa oEXIM Bank indiano em risco de que, quando o empréstimo de 12 anos proposto amadurecer, o banco não seja capaz de encontrar outras instituições financeiras internacionais dispostos a realizar o refinanciamento de Rampal, deixando o EXIM Bank com um empréstimo estagnado muito significativo.

"A exposição ao projeto Rampal é uma clara violação dos princípios do Equador, que coloca em risco a capacidade do EXIM Bank de levantar empréstimos a preços competitivos nos mercados internacionais", destacou Buckley.

A localização do projeto Rampal na "zona de risco de ventos" de Bangladesh representa um risco financeiro significativo para o projeto, uma vez que a usina seria extremamente vulneráveis ​​a tempestades e, portanto, a falhas e danos. A falta de um plano para combater até mesmo uma tempestade normal é gritante, assim como as decisões aparentemente empíricas e não científicas em torno do desenvolvimento dessa termelétrica.

O custo da eletricidade produzida será 32% superior aos custos médios de energia elétrica em Bangladesh, apesar dos vários subsídios de Bangladesh e da Índia, bem como assumindo um fator de capacidade média (PLF, na sigla em inglês) de 80%. O PLF médio para usinas de energia a carvão na China, EUA e Índia fica na faixa de 50-60%, enquanto que em Bangladesh em 2014-15 a taxa PLF média foi de 63,9%. Não há nada no projeto Rampal que sugira que essa tendência seja revertida. 

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Link para o relatório: http://ieefa.org/step-backward-bangladesh
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IEEFA realiza pesquisas e análises sobre as questões financeiras e econômicas relacionadas com a energia e o ambiente. A missão do Instituto é o de acelerar a transição para uma economia de energia diversificada, sustentável e rentável e reduzir a dependência de carvão e outros recursos não renováveis ​​de energia.

Clique aqui  para saber mais sobre as pesquisas da IEEFA: 
http://ieefa.org/category/subject/reports/

Fonte: AVIV